terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mais uma vez minha interação social egoísta, ou seja, meu compartilhamento de acontecimentos pessoais com outros me limitando a dizer apenas o necessário para sair me safando, na de ser um cara estranho, complicado, frio e fechado. É, é o que pensam de mim, e eu estou bem assim.
Mas o que mais é um blog do que isso, não? A diferença é que outros escrevem que cortaram o cabelo, saíram, tomaram banho tal hora... pra isso inventaram o twitter, pra suprir essa necessidade de interação inútil. E enfim... o que é isso tudo que se não um comunidade de coisas pessoais que não muda a vida dos outros, e por isso é irrelevante e por isso passa despercebido, nos deixando em nosso mundo "ego" confortáveis. Como qualquer outro blog o meu não escapa da superficialidade sendo pra todo mundo e pra ninguém! =)

Ah, que maravilha, eu vomitei! Vomitei tudo que estava me corroendo, e agora quem sabe eu posso finalmente continuar a caminhar... e quem sabe limpar o recinto. É, definitivamente preciso jogar alguns corpos fora aqui, algumas idéias fixas que descolaram e foram pro chão...
Vejam como é bom parecer estar apenas dando texto aos olhos dos outros, quando na verdade está conversando com si mesmo. O melhor é a forma poética. Onde quando uma mera noite tagarelando no msn se transforma em uma decisão de vida importante e necessária e uma limpeza mental. Por isso, não se preocupem, oh, meus bons amigos, eu não vou mudar, só vou ser mais o que sou, por mais que eu conte ainda estarei reservando, um bom observador sabe que palavras demais são usadas contra você, mesmo de forma leve, depois.
Estou lutando pra aperfeiçoar o meu ressonar com a comunidade "frio e calculista", que tem a maravilhosa descrição:

"Tu és fraco, eu sou forte; O protocolo é óbvio."

Analiso as coisas minuciosamente. Nunca me exalto. Não me sinto ofendido facilmente. Penso sempre muito bem antes de agir. Nunca respondo perguntas que possam me comprometer. Não gosto muito de calor. Não choro, ou pelo menos nunca em público. Procuro adaptar a minha personalidade a cada pessoa que conheço, para um melhor relacionamento e interação.

Daqui 10 anos vou lembrar de coisas que você já esqueceu. Eu nunca perco. Você entenderá.

Este sou eu, cada dia mais, vocês entenderão. ;)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Receita pra um romance caligariano.

I'm Alive! Ma non troppo! =)
É, eu to vivo, mas nem tanto, pô, não aguento mais esse adiamento do fim do mundo, já to cansado dessa porra, onde não se pode ser feliz em paz! Acaba logo merda! Próxima previsão 2014, é isso ai, galera, vejo vocês lá!
Maaa oêeee, não é que fizeram meus sonhos em caquinhos de novo? Mas esse humanos mesquinhos não perdem tempo mesmo!
Ok, ela levará essa dor pro inferno um dia! Esse é pra você, sim, garota maravilhosa! =*
Um post especial pra você. Ora, mas por que Senhor Caligari, as pessoas não têm nome nesse blog? Oh, mas eu te respondo por que, opa, eu respondo! Porque cada um deve saber que é sobre ele que estou falando, assim dá aquela piscadinha babaca de emoção no coração, tipo: "ooooh, este sou eu! Ele falou de mim." legal, né?
Eu vou fazer um... ahn... como é a palavra, um adendo, uma ressalva, vou abrir um parente, (de preferencia minha tia ou meu primo, esquartejar e depois tocar fogo), vou agradecer a outra pessoa que me incentivou a voltar a postar, uma pessoa Inêsquecível! ^^
E um outro bipolar aí que escreve cousas muito boas também!
Aaah, havia eu de encontrar minha salvação tão longe! Oh, por quê? Simplesmente porque eu não ia me dar bem sendo galinha, não tenho jeito pra isso! =/
Maldito coração romantico. Esta é a receita pra um bom romance com ele:

- Metade do sonho americano (pegue a parte de encontrar a mulher dos sonhos e montar uma casa, e ter um cachorro chamado rex e despreze a parte de constituir família, casar, ter filhos e ser um homem de bem, não tenho psicologia pra isso infelizmente, nem pra um cachorro, só um gato. É um gato é bom)
- Uma xícara de insanidade (não coloque mais que isso, porque daí a receita inteira fica insana e não dá ponto de crescimento, só de internação)
- Melosidade a gosto. Coloque o que quiser, o que ver pela frente, mel, açúcar, sorvete, as meninas super poderosas, sei lá.
- Uma colher de libertinagem e libidinagem, (também não coloque mais que isso, ninguém quer ser preso por atentados ao pudor ou ter nojo do tarado que vai sair)
_ Niilismo a gosto, a torto e a direito, se peneirar as idéias e conseguir tirar todos os pré- conceitos melhor ainda!
_ Frequentemente diga coisas fofas, mesmo que pareçam imbecis, quanto mais boba melhor, enquanto estiver misturando a massa.
- Você não está misturando ainda, era pra estar misturando, claro, né, sua anta!
Brincadeira! Isso quer dizer que você pode adicionar isso ai, brincadeirinhas, mas não muito, escolha sempre do tipo realmente engraçadas, não do tipo cócegas, tem um gosto horrível, você gosta? ¬¬
- Você deve misturar tudo isso numa panela de sonhos absurdos.
_ Mexa com vontade, mexa os quadris, os braços, as pernas o corpo inteiro... shake your body like the dance!
* Mas atenção, nunca mexa com dance summer hits, se mexer ouvindo Britney, Madonna, Beyonce, a massa murcha, a coisa fode, bate uma tremenda depressão e vai tudo pro saco.
* Mexa preferencialmente ouvindo músicas de bom gosto.
- Ok, agora que você deixou a massa homogênea (e ai, quem não gosta de dizer isso, toda boa receita tem essa frase) pode colocar no forno, depois na geladeira, depois no forno de novo, faça o que quiser, ela já estará inteiramente crescida, praticamente pronta e leve o tempo que levar, nunca vai perder o gosto desses ingredientes. Passe o tempo que passar... mas nunca se pode adicionar nenhum tanto a mais deles mesmo depois de pronto, ainda pode estragar.
- Também não chame os cachorros, nem passe por baixo da mesa, não banque o babaca que vê tv.
- Sirva com toda sua dedicação, decore com seu próprio coração, nunca solte sua mão.

É isso.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Desire

Estranho como faço isso noite a noite, semana a semana, sem nem saber porquê. Só pra me exibir, respirar, torcer por algo novo... não sei. Só saio, ponho os pés a andar pra fora de casa, encontrar conhecidos, beber, fumar, mas nada demais, conversas, engraçadas, mas nada demais, nada que se possa prever, por isso, nada que não se possa passar sem. Uma sorte. E a felicidade de um homem se consiste também na sorte, no acaso, sabemos.

Então enfim voltar sozinho pra casa, se antes de todos irem embora pensando em um motivo pra isso, ao invés de ficar, e vice –versa (um motivo pra ficar ao invés de ir).

Só sei que nessas idas de volta à casa havia muito o que pensar, assim como antes de dormir. Ter sempre de pensar nessas dúvidas, que assolam a vida de um humano, mas mais ainda de um humano tão assumido. Não sei o que pensam os outros humanos, os menos instruídos, menos interessantes, menos inteligentes, menos, menos, menos ou até mais que eu, só sei que o que eu pensava estava chegando ali, bem na minha frente. Claro que não me espantei, pensar nessa pessoa e de repente ela aparecer, se eu podia pensar nela a cada meia hora do dia sem me cansar. Nem também me surpreendia a sorte de ela estar sozinha. Apenas um acaso da nossa amiga, a sorte. O que me impressionava era que eu não estava sentindo algo. Sim, era algo que faltava, não que estava presente! Não sei o que deve espantar mais um homem, mas isso é questão de ocasião. E nessa ocasião faltava algo, muito que me conhecido. Era um pensamento, um ligeiro, ligeiríssimo e vago pensamento que me impelia a tentar calcular nos segundos que se passariam até que nos topássemos, o que iria eu fazer. Então podiam se formular nesses poucos segundos muitas alternativas, e o cérebro ficaria exitando em escolher uma delas. Podemos ver então como a mente é rápida. E naquele momento ela estava calma, se concentrava em mandar oxigênio pra todas as células, sangue também, e tudo mais que seu cérebro faz sempre mesmo enquanto está te atormentando com lembranças e desejos. Nem sequer cogitou acender um cigarro! Essa inatividade me pasmou. E ela não parou, e a calma continuava. A calma não calma. Persistia. E lá ela vinha. Estatura mediana, olhos escuros, pele clara, cabelos cacheados, também escuros, belas formas, tudo formando um lindo, o mais lindo conjunto... que eu já conheci muito bem. Que eu sei muito bem como eu queria realmente é que acelerasse aquele passo e corresse direto pros meus braços...

A minha surpresa só não era maior, acho, porque ela tinha atingido um limite naquele momento; surpresa tem limite? Espero que sim. A minha teve naquele momento. Ela acelerou o passo, abriu os braços, e me envolveu em um abraço sufocante. Um abraço quente, cheio de amor e desejo, ainda assim terno como o sono na hora de desespero. Que a tanto tempo eu não sentia. O abraço, não o sono. Ela me beijou, no rosto, no pescoço, nos lábios. Foi mais carinhosa do que qualquer mente pudesse imaginar...

E em seus olhos, que não eram os que eu sempre conheci eu li que era pra eu não me surpreender, nem nada dizer. Só que nesse momento, eu me desgarrei dela, eu tinha entendido tudo. E me prostrei a pensar! Sim, de novo, a pensar no que fazer, mas pensamento com torrente de fala, como o pior pensamento desesperado deve ser.

_ Sinceramente, seu... seu...horrendo, traíra, maldito, amado, idolatrado, não posso te perder. Nojento! Queria te matar! Era isso que eu queria! Mas como eu poderia viver sem saber se você está certo em existir ou não? – eu ia começar a chorar - o que eu faço agora, que te tenho frente a frente? O que faço? Aliás, o que posso fazer? Posso te levar pra cama? Posso te surrar e te deixar sangrando até morrer aqui?

Numa voz tão doce e abrangente, a resposta passou por cada célula do meu corpo como perfume.

_ É por isso que eu vim.

Decidi finalmente me entregar a ela, ou ele, sabendo eu quem realmente estava ali na minha frente. Me abracei ao seu corpo, quanta saudade, e fomos pra minha casa. Eu decidi que faria de tudo que pudesse até onde pudesse com ela. Sim, mataria a saudade de seu corpo, de seus beijos, de toda sua doçura e delícia. E depois a mataria. E quem sabe botasse fogo em seu corpo.

Acontece que na manhã seguinte ela não acordou ao meu lado. Acontece que não tive nem nunca mais terei essa chance de novo, de matá-la.

E todos vocês, humanos, podem até ter a chance, mas não conseguirão matar seu desejo. Sim, Desejo. Ela/Ela é sua obsessão, seu amor, uma das coisas que te mantém vivo, por isso, ainda que se apresente a você, será só por prazer em lhe zombar, pra zombar de sua impotência perante ele. Tenho uma faca, muito linda e afiada que comprei logo no dia seguinte, e guardo no cano alto de minha bota quando saio, pra no caso de se ele me aparecer de novo, em carne e osso, escárnio e ternura, eu lhe enfie ela na barriga. Mas espero, com muito vigor, ver ele mesmo, um dia, pulando de um prédio ou coisa similar que lhe faça morrer por si mesmo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008



Ok, agora falando sério, crianças, Alguém já parou de se perguntar quem fez o mundo pra perguntar o mundo foi feito pra quem? Pra ninguém. Implicarão com você se você for negro, mas se for muito branco também, se for gordo, mas se for muito magro também, se for baixo, mas se for muito alto também, se não for estudioso, mas se for muito também. Atacarão sua suas escolhas como imorais e como se fossem ameaças a sociedade, sua (falta de) religião, sua opção sexual, sua estética, seu modo de pensar, com quem você andar, quem você quer amar. Mas uma coisa é certa, não importa, realmente não importa quem você seja, o que importa é que esteja sobre controle, que ande na direção do gado e dance conforme a música. Caras crianças... vocês estão sendo controladas. Obrigado.

Vomitado por Gustáve Caligari 2:20 28/01/2008

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

David já era...

...Mais comum que a mentira quando ainda mais novo que a sinceridade, infelizmente. Sua meia vida fora mais meio vivida até agora que a metade do que se possa imaginar. Todo o potencial para ser “mais um apenas” é colocado na nossa cabeça desde criança, pra andar na direção do gado, tocar no tom que a banda toca, olhar na direção que as mão se estendem. Se você vai acreditar que é realmente assim está só em você. David sempre acreditou. Seguiu todos os passos para ser um bom cristão e ser humano temente a Deus, não perdia uma missa, mesmo que o desagradasse ter que ser assim, era, e ele escondia sua indignação porque se Deus soubesse não valeria a pena. Mas... Deus sabe de tudo, mas mesmo assim ele conseguia contornar, por que parece que dá pra Deus não saber? Ele nunca disse isso a ninguém. Nem a ele mesmo. Enfim, ele rezou, trabalhou, arrumou dinheiro para ajudar em casa, amou pessoas do sexo oposto, claro, mesmo que ás vezes se sentisse muito atraído por homens, ele reprimiu isso também. Ele ficou muito bom nisso. Conseguia reprimir tudo que era ele mesmo. Só que um belo dia ele acordou e sentiu que já tinha acordado antes disso. Ele comeu (refeições sempre nas horas certas, todas as quatro) e já sabia o que ia comer de alguma forma. Ele se vestiu (roupas tão qualquer quanto qualquer coisa qualquer que possa ser qualquer coisa, feia, roupas comuns) já sabendo que roupa era, que cor, que toque, que cheiro. Ele saiu de casa pela saída que já sabia como era, mesmo não sabendo que tinha uma lata de lixo derrubada pelos cães, ele sabia. Ele chegou ao seu trabalho e já sabia que estaria atrasado, que lhe dariam uma chamadinha, o que engoliria, e o que diria, quando abriu a boca para falar pela primeira vez naquele dia, depois de horas acordado, ele sabia tudo que ia vazar dali. Ele não tinha o gosto de escutar a si mesmo, se não visse ninguém também não ouvia o som de sua voz. Afinal, não importava e falar sozinho é maluquice. Ele sabia o que ia ser o almoço. Ele sabia que o cachorro olharia pra sua cara implorando por um pouquinho, ele sabia que ia chegar cansado, sabia que caminho ia tomar pra escola a noite, que teriam pessoas no meio dele, que teriam cães, senhoras, carros da exata cor, e começou a se incomodar. Na hora de dormir sabia segundos antes de rolar pra um lado que ia rolar pra um lado. E sabia que ia começar a gritar feito desesperado e que sua mãe irromperia o quarto como uma louca, sabia que seu pai viria em seguida, sabia que continuaria a gritar até a mãe lhe dar um remédio pra ele dormir, e sabia como era a tontura antes de fazer o efeito. Só não sabia se estava vivendo as coisas duas vezes, com uma diferença de milésimos de segundos, pois era essa a real sensação, ou se estava adivinhando apenas. Quando acordou, segundos depois acordou. Quando se levantou, segundos depois se levantou. Era uma vida vivida duas vezes com diferença mínima de tempo. Foi infernal, ele recomeçou a berrar, mas viu que ia sair correndo agora, e saiu correndo agora, não viu mais sua mãe, nem seu pai, somente viu um rosto muito familiar, lindo, muito pálido e com olheiras bem profundas, já sabendo que ia vê-lo. E de repente tudo parou. E aquele rosto ele não conhecia. Ela se aproximou e disse: Agora você é meu, acho que deve vir comigo.

E ele surpreso por não ter previsto aquilo perguntou: mas... E a minha vida?

_Você perdeu, sinto muito.

_ Eu...

_ Sim.

_ Mas o que aconteceu comigo, porque eu não vi? Porque não houve um déjà vu dessa vez?

_ Se quer mesmo saber... aquele não era você, você já estava morto há muito tempo dentro daquele corpo – disse a morte apontando pra trás.

Antes de se virar e ver a ponte, a estrada lá embaixo, e seu corpo sangrando esparramado ele viu a ponte, a estrada lá embaixo e seu corpo sangrando esparramado.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Como anda a Superglue

Os sonhos estão sendo bem colados, admito. Com dificuldade eles voltarão ao projeto com algumas (in) felizes (?) modificações. Díficil? Não está fácil mesmo!
Mas quem disse que a vida é fácil?
Tudo mais dói, tudo mais deprime e destrói. Os sonhos giram em torno da razão do meu viver e do viver da minha razão. Ela. Obrigado por existir, obrigado! Porque senão... quem sabe?
Quem disse que temos que estar vivos o tempo todo, aliás?
Se Deus existe alguém diz a ele como é mal por termos que ficar vivos o tempo todo. Alguém bem burro, um espírita, por exemplo. E as punições para toda essa blasfêmia, põe na conta do papa.

Por isso este é o conto de um suicida, porque raios ninguém nunca escreveu nem disse algo bom sobre isso. Ele se chama:

"O conto de um suicida, porque raios ninguém nunca escreveu nem disse algo bom sobre isso"

Feliz? Ele só queria mesmo ser feliz. Se ele tinha alguém na vida, se amava alguém, ou se era tão mesquinho para isso, não importa; estamos aqui pra falar da morte de Joanne Lou, que nunca conseguiu saber se era feliz, quem era realmente, o que queria realmente, se amava alguém, se se importava com algo ou alguém, e tinha todos os conflitos existências em sua cabeça e o sentimento de deslocamento que só alguém que se importa em ler coisas como essas tem. E a pergunta: Temos sempre que estar vivos?
Será que eu não posso ao menos estar sempre morto? Será que um maldito deus vai me fazer mesmo viver pra ver se mereço o reino dos céus?
Ok, pois ele vai ver! Ah, vai.
Joanne Lou tomou todos os remédios que encontrou em sua gavetinha maravilhosa, todos mesmo, dentro de alguns minutos ou ele estaria curado de todos os seus males ou estaria passando tão mal que se forçaria a vomitar até as tripas. E também para que nenhum imbecil o achasse e lhe salvasse a tempo de uma lavagem estomacal ele se sentou na janela de sua sala, de seu apartamento, no décimo andar. Ele estava grogue dentro de cinco minutos, seu estômago estivera vazio o dia inteiro. Ele se segurou até quando pode, mas por fim ele adormeceu e caiu. Ele achou que isso seria realmente lindo... E foi. Ele caiu e rachou o crânio e quebrou tudo o que tinha direito. E deixou uma poça de sangue que não sairia tão fácil.

E sim, fez isso às três da madrugada. No térreo não havia nenhum apartamento, apenas uma espécie de hall de entrada, bem pequeno, só tinha a porta de entrada para o elevador e para a escadaria. Era um condomínio. A portaria era bem mais pra frente, o bloco onde Joanne morava pouco importa. O que importa é que ninguém ouviu o baque do corpo. O que importa é que era segunda feira, portanto, não havia nenhum morador voltando de uma noitada ou algo assim pra ver nada. Todos dormiam a espera de seu maldito próximo dia de trabalho. Mas Não Joanne, ele estava livre, e estendido no chão, numa poça, achado por nada mais nada menos que uma dessas felizes senhoras chatas que todo mundo odeia, justamente por que acordam bem cedinho, pra observar a vida alheia. Ela avisou a sindica, aos berros. Ela estava ficando quase louca de tão chocante que foi, queria dar mais problema aos que estavam por perto do que o próprio cadáver. Dizia que ia ter um ataque, que tinha taquicardia, que era fraca, que afinal, merecia morrer com um tiro na testa naquele momento por querer roubar a cena de nosso personagem principal. Mas ela que se dane. Não importa o que aconteceu com o corpo, com o aglomerado, com aquele maldito condomínio, com aquelas malditas pessoas, pois assim pensava Joanne Lou, e assim pensaremos como ele. Ele enfim saiu de seu corpo sem sentir nada que um corpo físico pode sentir. Ele era um espírito mundano agora, com problema a resolver, por que abandonou seu dom de viver. Era malquisto no céu, e um banquete para o inferno. E quando os enormes portais de fogo e sofrimento se abriram diante dele ele gritou:
_ Eu não acredito em tudo isso!Fiquem com suas podres almas pecadoras! Eu não sou assim!
Ele gritou com tudo o que podia. Gritou como se ainda tivesse pulmões e quisesse destruí-los, mas nada doeu. Nem sua garganta, nem nada.
E as portas se fecharam e os o demônios e gritos fugiram espantados.
Foi então que logo em seguida um anjo do Senhor apareceu cercado de sua iluminação própria. Ele era muito belo mesmo, usava uma manto muito branco e tinha uma voz mais suave que uma manhã de primavera. Disse a Joanne que seu ato provava que queria se salvar, por isso vinha em nome do Senhor dizer a ele que poderia ter mais uma chance, poderia lhe devolver a vida e...
_ Então por que ele mesmo não vem me dizer isso? Não sou bom o suficiente, não? Pois mande ele enfiar essa vida onde quiser, você tem nariz. Pois bem. Que ele rasgue todo o destino traçado pra minha vida e enfie nos narizes mais angelicais do Paraíso!
O anjo sem se alterar disse ainda:
_ Vejo que você renega sua vida. Pois bem, podemos lhe purificar no purgatório, assim você se tornará uma alma pura, já que é isso que você quer. Então terá direito ao reino dos céus finalmente. Sua força de vontade alegra ao...
Usando do sorriso mais sarcástico que pode Joanne então disse com o tom mais vitorioso que conseguiu:
_ Você não vê? Você e esse Senhor não usam a infinita sabedoria? Ele me deu livre arbítrio, esqueceram? Ei! Você esqueceu, seu Deus imbecil?!
Eu não acredito em nada disso também! Quer me destruir agora? Quer que eu seja um espírito apegado as coisas do mundo? Que eu sofra por isso?
Vamos lá! Afinal a escolha é de quem? HUHAHHAHHaHhAHaHhAHaHhAHhAa – ele ria como se fosse explodir, nunca tinha sentido tanta felicidade, tanto triunfo – De quem é a escolha?
O anjo ficou pasmo. E começou a ficar transparente. Começou a falhar como um holograma. Ele estava morrendo. Cada vez que alguém não acredita há uma conseqüência. Um anjo morre, Deus se torna menos sólido, uma parte do paraíso cai, etc.
Joanne Lou então deu o golpe final.
_ Eu não acredito em NADA DISSO!!!
E esmurrou o anjo com os dois punhos. Um belo gancho de direita no estomago e um de esquerda no rosto. O anjo explodiu. Foi como se abrisse um cômodo cheio de luz na escuridão. Ele se foi.
Joanne era uma alma livre, uma mundana e maldita alma apegada a esta podre camada, este reino medíocre chamado Terra. Feito para testar pobres mortais que anseiam o perdão por seus atos egoístas e hedonistas e nada mais.
Porém ele podia ir onde quisesse, andar por onde quisesse, como e quando quisesse, sem comer, descansar, dormir ou temer. Nada podia detê-lo, poucos podiam vê-lo, ouvi-lo, mas ele... Ele podia observar a todos. Ele podia sentar no topo do lugar mais alto do mundo e observar o mundo sem sentir sua magoas, dores, tristezas e injustiças, sem sofrer suas doenças.
E a única coisa que ele prezava quando vivo viu que não valia, e ele sabia, nada perto do tinha agora. Amor. O amor é apenas um consolo, uma força que te faz continuar, ele não quis continuar. Agora ele tinha a liberdade. Agora... Ele gritou do topo daquele lugar: EU ACREDITO EM VOCÊ, FELICIDADE!!!

Quem disse que temos que estar vivos o tempo todo mesmo?

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

"O inferno são os outros" Do velho Sartre

Construir tudo aquilo, aquela velha história. Que eu não vivo há muito tempo.
Eu sou um rosto desgastado, cansado de tudo e de todos, reclamando na madrugada. Mas esse rosto não tem rugas. Muito o que viver ainda? Eu devo realmente pensar que pode acontecer de novo? Sim, claro. Mas acho que felizmente por um lado não, já encontrei o que precisava.
Logo então, do que estou tratando?
Exatamente tudo aquilo, é, aquilo! Construir, o início. Ver que está pensando se aquela pessoa tão especial pra você pode ser bonita, linda, ou não. Tudo isso além do seu limite de pensamento superficial e à margem de qualquer influência alheia. Ver que aquela pessoa está te despertando algo a mais, reparar em todos os seus traços, modos, trejeitos, o que pode ser bom ou não, e relevar o que não é. Pensar se ela, naquele momento, está também fazendo isso! Se também está desprezando tudo o que não serve e absorvendo tudo o que precisa pra tomar a decisão. A decisão. Isso... chama apaixonar-se. E com a decisão tomada chega sempre a hora da ação. E você sabe, você pode não saber como fazer, ou apenas como começar, mas sabe que tudo dará certo.
Depois as glórias. Mas não importa o meio, talvez nem o fim, é triste que geralmente haja um fim. É sim, nada dura pra sempre por que os humanos são burros. O que eu queria lembrar é o começo, será que eu fiz tão bem, será que realmente vivi essa maravilha perfeita num momento raro ou é sempre assim? Uma parte sim.
O que eu quero? Eu acho que não quero mais nada, já achei o que procurava.
Eu ainda estou aprendendo a ser carinhoso. Não preciso que me pressionem, preciso que aprendam a lidar com isso junto comigo. Eu devia agradecer por certa pessoa existir, e que forma melhor pra isso que retribuir. Isso tudo é falta de costume, a pressão não vai ajudar em nada, as brigas, repreensões, quando se está mal não se pede pra ficar pior. Talvez eu não tenha culpa, talvez eu realmente queira isso, vida, amor e tudo mais, mas não me deixam. Acabam comigo, não colaboram, fazem eu me sentir o pior, o culpado, o rebelde, o errado, o irritadinho, o revoltado, o réu, eu estou cansado.
Algum dia os guardas iram até o cativeiro e verão que o réu fez uma brilhante fuga, no recinto nem sinal de nada, levou tudo que precisava e só deixou um bilhete pra alguém ler e contar pros outros, porque nem em papel descente escreveu. "Vou sumir, tchau."
Nem adeus, tchau, simples e amistoso até, sem zombaria, quem se acredita livre faz a sua liberdade sem nada temer.

Finais são bençãos ambivalentes.