quinta-feira, 25 de julho de 2013

Você jura que está me mostrando a letra dessa música?

“Entrar na sua linha do tempo e ficar vendo seus posts é um dos meus passatempos favoritos, nesse mundo online onde tudo é Clarice Del rey e Lana Falcão. Faz um blog! Ou é muito mainstream?!”
É com essa frase inspiradora de Zadorinha, que eu venho fazer a coisa mais perigosa que se há de fazer na face da Terra. Criticar música.

Criticar música é algo muito perigoso, pois vale lembrar a máxima “gosto é gosto”.
Exponho meus preconceitos injustificados de entrada, Chico Buarque, não consigo gostar de Chico Buarque; Caetano tem fases boas e fases tenebrosa, chegando ao ápice de regravar Nirvana, banda cujo frontman me passa uma depressão tão profunda quanto Lana. Não é este tipo de coisa que quero fazer aqui no momento. Acho que deveria reinar um consenso absoluto de cada um pegar seu gosto e enfiar no cu, pois seu gosto se impõe sobre o meu a todo momento! Você coloca seu carro em frente a minha casa, você coloca o som alto, você não usa fone de ouvido no ônibus! Então, criticar música é logo, acima de tudo, criticar a falta de respeito com o ouvido alheio (alheio, para as mentes mais desavisadas é o que não é seu, funk no ouvido alheio deveria ser considerado assédio, pois toca uma parte do corpo de outra pessoa, sem o consentimento dela). Logo, como somos obrigados a lidar com o gosto extremamente diversificado das pessoas, criticar música é, em segundo lugar, criticar a massa uniforme de sonoridade a qual somos expostos todos os dias. Não é meu objetivo julgar que rock é melhor que funk, eu não sou A Razão. Dá-se conta agora de que ambos os defensores dos estilos aqui são equivalentemente chatos pra caralho. Não é meu intuito menosprezar uma pessoa que não está ouvindo Beethoven neste momento! Porque eu mesmo não gostaria de estar ouvindo Beethoven, ou Bach, ou Chopin neste momento, pelo simples fato de que prefiro Vivaldi e imensamente mais Mozart! Bem, quando eu sinto esta pena das pessoas, eu, como herói, devo, claramente nos diz o bom senso, colocar Queen of the Night no volume máximo, para que os vizinhos, OUÇAM MOZART! (e sim, eu faço isso, em algumas culturas se chama Vendetta, vingança, dado que eles me impõem sertanejo, funk e Avril Lavigne em domingos em que eu nem acordei ainda, eu queria ter silêncio, nem as minhas próprias músicas eu queria ouvir!)
Eis que diante de toda esta mediocridade musical que nos impõem, surge na aceitável MPB, uma baixa ralé, em um modelo obviamente americano, de meninotas meio bobotontas, meio menina moça, selelepes, com músicas com um tom moderado de humor, multi instrumentistas, que fazem coisas muito fofas com um violão,um banjo, um cavaquinho, um ukelelê, um berinbal, uma arpa de eslasticos e caixa de sapatos, uma vasoura com fios de nilon, todo e qualquer instrumento de cordas popular nas mãos.

Claro, há pouco tempo conhecemos o deslumbre Malu Magalhães, perfeito exemplo, que é fã de Johnny Cash e Bob Dylan, todas essas meninotas querem ser Bob Dylan, mas acontece, que Bob Dylan... já vem a ser Bob Dylan, desde de que ele nasceu. É a mesma coisa que comprar um livro do Eike Batista, pensando que você vai ser Eike Batista. As pessoas poderiam se contentar em ouvir Cash e Dylan de uma vez, que já tem algumas músicas chatérrimas por sinal, não era preciso mais. Mas não. Elas ouvem Malu Magalhães, que em perfeita ilustração da sua obra tem aquela música Xylophones, todas essa meninas pra mim são como uma criança autista tocando xilofone, no mais exuberante tédio que o ouvido pode concatenar! Então surge um paralelo mais deprimente ainda lá fora a ser seguido. Uma espécie de moça mais moça, não meninota, com vestidos longos, cara de dona de casa cheia de lítio, uma mulher cujo psiquiatra entope de antidepressivos e estabilizadores de humor, perdida em sua zumbilência ela gira em torno de si mesma, e resmunga versos depressivos a serem compartilhados nas redes sociais. Não nos bastasse Mallu Magalhães ter se tornado esta mulher, do dia pra noite, os enlatados nos deram Lana Del Rey também. Coincidência?

E não nos bastasse Mallu e Tiê, que só sabe dançar com você, ganhamos Clarice. Eu, que já não achava que se possa ficar velha e louca aos vinte, que já não achava que neguinho nenhum sacava a minha esquizofrenia, tive que me encontrar decidamente negando que a sua loucura seja um pouco igual a minha! (percebam que riqueza lírica! Que coincidência em tratar de patologias psicológicas inerentes a todo ser humano! Que brilhantismo!)
Nossa música, que pode por diversas vezes se orgulhar de tratar com recursos lingüísticos muito mais superiores para suas letras, que muitas músicas estrangeiras, que consegue, por vezes, usar de metáforas muito mais ricas, que o inglês (não, o português não é superior às outras linguas pra expressão de sentimentos, é você que é burro que diz isso, você que não é bi, tri, quadrilingue, você que malemá sabe português que usa este argumento, eu disse POR VEZES), para frisar a fascinação por um olhar, que pode dizer além de look into those angel eyes, that shinning bright and deep eyes, que este olhos são como uma carícia donde a alma encontra seu mais profundo recôndito, onde, longe, se colocaria ontem e hoje, e sempre, carente, olhar rente. Sim, pode se servir de aliterações (esse jogo de palavras com terminações iguais repetidamente que fiz), metonímias (substituir um termo por outro, como ao invés de ouvir devolva-me, eu diga, vou ouvir Adriana), catacrese (substituição do verdadeiro nome de algo por outro que não lhe é característico, como o pé da mesa, o dente de alho) e sinestesia (usar de um sentido pra descrever o que não lhe cabe, como "sentir com os olhos", "ver a cor da música"). Com todos esses recursos, que eu confesso, gosto muito de ouvir Skank, por que encontro neles, e claro na Adriana Calcanhoto, não bastante não ouvir Bob Dylan, não se pode ouvir Adriana, Marisa, Bethânia, Gal Costa, Clara Nunes! Não, existe uma inovação, algo magnífico que bateram no liquidificador que vocês devem ouvir, gente! Assim como não há contentamento em ouvir Madonna, Michael Jackson, David Bowie ou Roisin Murphy, por exemplo, inventaram Lady Gaga, e a intertextualidade dela com estes artistas precedentes é obviamente descartável. As musas pop de hoje são muito mais confiantes, decididas, elas colocam os pés abruptamente sobre uma cadeira com muito mais ênfase! Beyoncé faz movimentos bruscos de pescoço de um lado pro outro com muito mais imposição! A imposição de uma negra americana re-sig-na-da!

Que se deva ouvir só os clássico então? Tudo que é novo é chato? Ué, mas quem disse que é novo? Por certo é chato. Isso é inegável.

Eu tenho a mais densa preguiça de ouvir o que todos estão ouvindo. Eu, aliás, começo achar intrusão certas recomendações, eu não recomendo minhas bandas a todo mundo. Elas são só minhas, eu as achei! Vá procurar as suas! Síndrome do underground? Não, se ta tocando David Bowie na novela, eu to pouquíssimo preocupado, eu tenho uma síndrome de indivualidade, isso sim. Isso é outro assunto. O que eu dizia mesmo era sobre a diversidade de gosto de vocês. Que ouvem coisas iguaizinhas, e ainda recomendam que os outros também ouçam, quando eles tem um ouvido pouco menos apurado, e não conseguem diferenciar, como vocês, as nuances diversas destas músicas bobildas dessas folk babies. Que ouvem Mallu, mas não ouvem Dylan. Era isso, não? Ou estou ficando velha e louca?

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O que é poema em linha reta? - pesquisar

Que bom que vocês conhecem Fernando Pessoa e seus três heterônimos, Paulo Leminski, Ferreira Gullar, Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, e outros grandes brasileiros, pra ficar citando a todo momento! Nossa, como transborda meu coração de alegria ver que vocês conhecem de poesia e literatura brasileira e citam autores tão diversos. A cada perfil que eu vejo um autor renomado diferente! Nunca vejo um autor repetido, como Caio F. Abreu duas vezes no dia! NUNCA!
Vocês citam Luis Fernando Veríssimo, e Stanislaw Ponte Preta, e Mario Prata pra serem ácidos, irônicos e bem humorados! Minha alma se alegra! As citações de vocês são tudo que pedi a deus! Ricas, densas, diversas, conexas! Minha alma se preenche em encanto melodioso! Adoro como vocês entendem Nelson Rodrigues também! Todos os dias alguém cita Nelson Rodrigues! Vocês lêem demais! Parem com isso.
E dos autores internacionais? Sempre um Oscar Wilde na Timeline, um Orwells, Huxley, Kafka! Meu, olha, vocês são demais pra mim! 

Vocês entendem de literatura e poesia brasileira como nunca dantes eu havia visto! Mas de filosofia vocês dão um banho mesmo! Minha vista se salta sobre si mesma! Parece que olho um horizonte inexplorado! 

Quando vocês citam filósofos vocês sabem toda a coerência que a frase, remodelada para um modelo de auto ajuda, da citação tem no pensamento daquele autor! De Santo Agostinho a Nietzsche, vocês lêem muito mais do que todos os filósofos já leram em uma vida! PENA QUE VOCÊS NÃO PRODUZAM, NÃO TENHAM O FOCO QUE NIETZSCHE E SANTO AGOSTINHO TINHAM! QUE VOCÊS LEIAM PRA CACETE MESMO! MAS SÓ FALEM BOBAGEM O DIA INTEIRO! QUE TODOS LEIAM PRA CACETE! A MESMA COISA! QUE AS LIVRARIA HOJE EM DIA EM MEIO MATERIAL ESCOLAR, CD, DVD, TUDO DO CREPUSCULO, CINQUENTA TONS DE CINZA... NOS BRINDEM ATÉ MESMO, INUSITADAMENTE, COM LIVROS! Infelizmente não conseguimos achá-los, e compramos Paulo Coelho.

Daí acontece que você não é capaz, de quando lendo um livro atual, entender ou buscar a intertextualidade dele com outros. Vocês que lêem terror, por exemplo: O REGOJIZO QUE RECOBRE-ME POR OUVIR FALAR EM STEPHEN KING, ALGUÉM QUE TERMINA TODOS OS LIVROS DA MESMA FORMA, É IMENSO! STEPHEN KING, QUE NOS FAZ CRER, NO MAIS ALTO SALTO DA CRIATIVIDADE, QUE O MAINE É ONDE TUDO DE SOBRENATURAL ACONTECE NOS EUA. Assim como a brasileira Maria José Dupré, autora do cachorrinho samba, dá aos personagens donos do cão o nome de Maria, que como a própria, é escritora, e Leandro, que assim como seu marido, LEANDRO, também é engenheiro! Vocês que leem terror, que por alguma sorte conseguiram ir, em Anne Rice, além de "Entrevista com o Vampiro", e chegar na crônica vampiresca de número 4, se não me engano, "O Ladrão de Corpos", nunca irão entender a intertextualidade com "A coisa na soleira da porta", a não ser que a autora diga, grite: LEIAM H.P. LOVECRAFT! Mas vocês não lêem Lovecraft, tão pouco Poe. Vocês leem Stephen King. 

E depois, nego vem me chamar de cabeça vazia, de pseudointelectual, e eu vou dizer o que? Pedir desculpa, claro, pois diferente dele, neste momento não estou lendo A Odisséia, pois uma pessoa que me critica, é óbvio, deve não ter grande preferência pela Odisséia, mas ainda preferir a Iliada, e ler o Inferno de Dante só pra ter assunto com os amigos! Que defende que a censura popularizou Camões, pois toda semana tinha um versinho dos Lusíadas no jornal! Essa pessoa nunca deve ficar preguiçosa, sempre que lhe perguntam o que ela fez no fim de semana ela diz que foi ao MAM, ver a Tarsila. Que fez de tudo pra ir ver Carmem no teatro municipal, mas não pode, por que se atrasou em sua caminhada, onde encontrou um amigo, que lhe tomou tempo, discutindo a falta de densidade da leitura dos jovens hoje em dia! Esta pessoa é perfeita! Que assim descreve Fernando Pessoa em "Poema em linha reta", enquanto ele, por vezes tem sido relez. 

Esta pessoa escreve sonetos ao luar, suas redondilhas são inebriantes, cada estrofe é um lágrima... QUANDO EU SEQUER DIVULGO MEU BLOG PORQUE SENÃO NEGO VEM QUERER QUE EU LEIA O BLOG DELE! Que só tem as piores poesias que um ser humano poderia escrever
Porque nego acha que escrever poesia é só
escrever uma linha
embaixo
da 
outra
Gente que ao escrever usando alma, sangue, anjo, anjo negro, negro, escuridão, véu negro, céu negro, lágrima, lágrima negra, etc., o torna um mestre em versos e prosa gótica, que Alvares de Azevedo não morreria do mal do século, tuberculose, morria cuspindo sangue, mas de desgosto, por não ser tão original quanto um ser desses! 

sábado, 13 de julho de 2013

Eu, Pierre Rivieri, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão. Um caso de parricídio do século XIX apresentado por Michel Foucault

"Eis que criadas camponesas matam sem razão, mas cruelmente, as frágeis crianças que amam, que eram confiadas aos seus cuidados. A mulher de um jornaleiro, passando necessidade, não mais suportando os gritos de fome de seu filho de quinze meses, golpeia-lhe o pescoço com um cutelo, sangra-o, corta·lhe uma coxa, que come. Ela conservava, no entanto, em plena miséria, uma cabra, um pedaço de jardim, alguns repolhos. Antoine Léger, vinhadero, deixa a sociedade de sua aldeia, vive nos bosques como um homem selvagem, agride uma menina e, não podendo violentá-la, abre-a com uma faca. chupa-lhe o coração e bebe-lhe o sangue"


E aí, o que você acha que é? Literatura? Hollywood? Sônia Abrão conseguiu um furo!?


Pois são ocorridos registrados em anais de higiene publica na França, em 1835, sim, estou chocado, mas ainda mais que isso fascinado pela análise que apresenta a obra onde descobri isto, que foi por acaso, em um livro organizado por Michel Foucault, onde junto a acadêmicos do College de France transcreveu o caso “ Eu, Pierre Rivieri, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão”, este é o título do livro, pois é algo escrito pelo próprio parricida em um manuscrito que fez na prisão e se tornou peça chave do julgamento. O motivo foi ver como sua mãe fazia seu pai sofrer, sua irmã tomava partido ao lado desta, e o irmãozinho serviu de bode expiatório “O irmãozinho foi golpeado primeiro por amar a mãe, e também por ser este o único meio de jogar a cólera do pai contra ele, pois este o amava muito, e assim sua morte seria menos lamentada pelo pai.”  Ou seja, que o pai dele o odiasse por matar aquela criança tão querida, a ponto de esquecer de se apiedar dele, e desejar que ele sofresse a pena dos parricidas, por tal ato. O garoto tinha 7 anos, a mãe estava grávida de outra criança, sete meses.

Ao que isso nos remete no livro não é o que primeiro salta a vista, o clássico “no meu tempo era melhor...”, certamente você já ouviu uma pessoa idosa falar isto, o Foucover da Unicamp, o carequinha simpático, Lendro Karnal, que lembra mesmo o Foucault, já diz que sua avó diz isso, e ele a lembra “mas vó, a senhora viveu a segunda guerra, centenas de milhares de pessoas morreram em campos de batalha e câmaras de gás”. A utopia de pensar que no passado tudo era mais calmo, quando o que não existia era veiculação imediata dos acontecimentos. Estes casos mesmo podem ter tido pouca repercussão, mas não o de Pierre, que foi analisado por médicos para que se constatasse se era são, e por fim teve seu caso disputado pela justiça e pela psiquiatria, artigos de jornal, e cartas ao mesmo jornal depois, concordavam com a não condenação de Pierre a morte.. Até que o próprio rei comutou a pena em prisão perpétua, pois se chegou ao acordo de que ao menos a hora dos assassinatos aquela pessoa não fazia jus a razão. Anos depois, mantido vivo em reclusão, ele se enforca na solitária da prisão, tal era seu desgosto por não saber que merecia aquela pena, mas análises exteriores a toda sua vontade, vieram para lhe atrapalhar. É justamente  a intenção do livro mostrar o embate de discursos travado em torno dos culpados, e não mostrar a violência do primeiro período da idade contemporânea pra dizer “uau, que chocante, também faziam isso sem mídia pra animar”, e daí podemos ver que não é o vídeo game, não é o filme, que influencia por si só em uma ocorrência violenta, mas outras causas sociais, lembrando Karnal novamente, que a história humana é violenta, a história mundial é violenta, o Brasil não foge a regra, os portugueses que trouxeram isso pra cá, certo? Antes viviam aqui tranquilos indígenas, que por exemplo, invadiram aquela costa que seria a Bahia, onde Cabral chegou, e devoraram os povos sambaquis que ali viviam. A violência é sempre exclusivamente do outro, do estrangeiro, do vizinho, do rei, mancomunado com a Igreja naquele tempo que fantasiamos, não de nós, não de nossa cidade, do nosso país, daqueles camponeses obtusos como índios.

A causa social para a potencial crueldade destes camponeses era que viviam passadas três décadas da revolução francesa (a Revolução durou de 1789 a 1799, lembrem-se que estamos em 1835), que de liberdade só dera a alguns a possibilidade de possuir, de ter terras próprias e poder explorar os que não tinham, que continuavam pobres, ou obrigados a trabalhar arduamente pra sobreviver de sua propriedade. Os médicos começaram ir até esses camponeses, pois se via que era melhor conservar, digo prevenir do que comprar outro, digo remediar, era melhor cuidar dos que se tinha, do que deixar morrer para ter que adquirir outros. E os médicos viram como eles eram rudes por dentro e por fora, pele grossa, cheia de feridas. Por dentro ardia o ímpeto que não era mais contra o contrato nocivo com o soberano, pagar tributos, trabalhar em algo que nunca seria seu, “Donde os ódios entre contratantes e, Michel Foucault sugeriu-nos a idéia, o novo tipo de criminalidade camponesa (crimes interiores na família, ou sancionando a relação de propriedade, de arrendamento, de cultura de terras etc.).” Ou seja, desapareceu o rei, dono de toda terra, a monarquia foi reformulada, desapareceram os crimes contra o rei, que bem sabemos, e Foucault bem evidencia em Vigiar e Punir, uma de suas obras mais famosas, como eram punidos, guilhotina, forca, esquartejamento, tudo em praça pública, e os pedaços eram expostos, que servisse de exemplo até depois de sua morte aquele que feriu a lei, pois a lei era a palavra do sagrado pai de todos, o rei. 

Diminuíram então, por exemplo, saques aos castelos, aos arrendatários de impostos, e apareceram crimes mais delimitados, contra os novos proprietários de terras e até a própria família, cerca de 10 a 15 parricídios eram registrados por ano, diz o livro, aliás. Ou seja, o equivalente a uma Suzanne von Richtoffen por mês. Pierre, por exemplo, era um alienado, ou ser humano perverso? Era insano, por isso matou, ou matou com total razão, sem arrepender-se depois, só esperando sua condenação? Ele possuía escrúpulos religiosos, de inicio até dizia que era Deus quem o havia ordenado, e que ele conhecia a palavra de Deus, depois admitiu descumpri-la, matando, mas em uma boa causa, ainda que isso não lhe desse o direito de permanecer sem pagar por ela, era exatamente o que ele queria.

Os debates médicos-judiciais divergiam entre si, em meio a tudo isso a palavra do próprio criminoso registrada, seu desejo de pagar por seu crime, de morrer como mártir da salvação, tanto que se negou a assinar o pedido para recorrer da sentença, até que o advogado de defesa e o pai tanto insistiram.

Toda sua vida resumida, todo o sofrimento que a mãe perpetrava ao pai, todo o senso de justiça e heroísmo que empreendeu para livrar o pai daquela insana. A palavra dos homens da lei, que queriam a condenação, das testemunhas oculares, depoimentos de conhecidos sobre a vida da família e os atos de Rivieri outrora, dos médicos, que alegavam sanidade, dos médicos que alegavam insanidade, visível em seus delírios juvenis, e sua descendência, até mesmo a mãe poderia ser louca para fazer da vida de Rivieri pai tal inferno, ela lhe pedia coisas e depois dizia que comprara muito caro, que vendesse, então dizia que vendera muito barato, queria viver apartada dele, quando estavam juntos não queria deitar-se com ele na mesma cama, lhe tirava as penas do travesseiro, lhe deixava sem nada com que se cobrir a noite, mas afastada fazia-o ir até outra propriedade que tinha comprado para ela para trabalhar nela, ou contratava outros, dizendo que ele os pagaria, contraia dividas só por maldade, o homem tinha que vender terra, animais, etc., para pagar, ele não revidava, mas quando o fazia ela contava a todos como a maltratava aquele homem, ia até juízes, promotores, etc. e a todo momento o pai de Pierri tinha que ter audiências com estes para se explicar; uma vez vendeu uma propriedade e teve que tirá-la de lá a força para que o fazendeiro pudesse ocupá-la, tirou primeiro os móveis, e depois teve de arrastá-la até a carroça para levá-la embora. Sua filha conhecia de todas as maquinações e permanecia ao seu lado. Quando Pierre executou o seu plano partiu dizendo a vizinhos que agora seu pai estava livre.

Dentre o todos os discursos sobre o criminoso, ainda há o discurso do criminoso, que assim não se julga abominação, e sim herói, benevolente, era assim que eles, sem saber, claro, os oprimidos, se faziam ouvir. Voltem ao cabeçalho se não se lembram dele, depois leiam essa continuação que é com a qual concluo essa exposição. "Uns e outros ficam abatidos por seus atos. "Esta criança, diz a primeira, quis poupá-la de viver como eu, solitária. Sem alegria, mais vale morrer." a miséria. diz a ogra. Deus me abandonou." "Tinha sede, explica o ogro." Em alguma parte suas confissões gaguejantes anunciam: "Era a mim mesmo que matava". E Pierre Riviere que coroa a linhagem memorável, não grita para os vizinhos "eu matei", mas "eu morro por... meu pai" (memorial de Pierre Riviere visto anteriormente)."

domingo, 9 de dezembro de 2012

I hate my sister

Como em toda relação social de tolerância apenas, onde duas pessoas que não se gostam, apenas se suportam em uma acordo de paz inconsciente, são confinadas a larga convivência, dentro de um ambiente pequeno, um dia essas pessoas se estranharam em uma séria cisão do contrato.
Bem, é como se as duas estivessem trancadas em um ambiente infestado por gás e a primeira que riscar um fósforo, um gesto que parece tão ínfimo,  inicia uma explosão.
Por muito tempo tenho aguentado a convivência com a minha irmã neurastênica aqui dentro desta casa, que não é segredo para ninguém, é uma pessoa que eu odeio, eu tenho motivos pra não gostar dela, se eu a defendi em alguma fase da minha vida não significa que eu goste dela, mas por um senso de justiça, além do que, só queria vê-la bem longe de mim, longe de mim ela é como outra pessoa qualquer, mas tê-la por perto é muito ruim, pois além de ser miserável, uma pessoa miserável com pensamentos estreitos, visão de mundo estreita, cristã meia boca; histérica, sempre gritando, com a filha de quatro anos (não que crianças não mereçam gritos, mas se isso assusta a gente, imagine uma criança que só sabe sentir medo, pois antes dos 6 anos as coisas não causam raiva, só medo a elas), e as cachorras, que são uma consequência de uma escolha passada, onde eu não queria mais cachorros, mas ela e minha mãe não se furtavam de estar sempre arrumando mais; dado a suas condições sociais, problemas com a família do pai da criança, uma falta de pensão aqui, um desemprego ali, dinheiro pras cachorras com o veterinário, cachorra atropelada, não pode estudar, etc.; evidentemente uma pessoa sem sossego mental que eu vinha aguentando a estupidez quieto a um tempo considerável com paciência monástica, sempre deixando o banheiro ensopado e não secando, dando banho na menina quando eu tinha que tomar banho pra ir pra faculdade, enfim, qualquer coisa que eu me opusesse a ela sempre tinha uma resposta ríspida, mesmo que ela estivesse mesmo errada, claro.
Eu realmente raramente faço algo nesta casa, como limpar, lavar e passar, somente cozinhar e lavar a louça é algo que faço com frequência. Acontece que gosto de estar sozinho, e gosto menos ainda de saber que alguém assim esteja por perto. Por isso só fazia as coisas quando estava sozinho, e sei que na cabeça miserável dela isso é motivo pra me chamar de vagabundo. Não obstante eu passei um dia sem fazer arroz e isso causou grande revolta a ela. Bem, é comum mesmo que nunca vejam o que você faz, mas sempre vejam qualquer deslize que você cometa. Mas eu já muito farto desta me descontrolei, e me descontrolei de veras pra caralho, eu queria quebrar algo dela, algo dentro dela, um osso só, ou algo nela, um copo, só isso. Pra não fazer isso fui obrigado pela minha adrenalina a atirar coisas e socar mesas e paredes, senão eu iria enfartar sem ter como extravasar.
Agora estou fazendo menos ainda, na mente dela ela deve estar me xingando mais ainda, e como é descuidada ela deu prova disso, falando algo de mim hoje, sem saber que eu estava aqui.
Eu definitivamente só posso ter pena de uma pessoa assim, que não sabe aceitar que as coisas são feitas de colaboração, que é outro nome pra interesse. Eu não faço nada por ela sem que seja pelo fato de que eu saiba que é por que eu terei isto de volta. Exemplo, eu não uso a impressora, mas recarrego, mesmo que seja pra ela, meu primo e minha tia usarem, por que depois eu posso precisar de favores deles também. Sempre que o computador precisa de alguma coisa, e ele não é só meu, eu pago sozinho, e ele já precisou ein! Mas nem ela nem ninguém sabe apreciar essas coisas, elas sabem dizer coisas como "mas de usar a moto dela você gosta", claro que meu pai também não poderia se furtar de uma fala destas. Eu não posso gostar de uma pessoa que não sabe aceitar lado difícil algum, apelando sempre pra este patético deus de puro amor que ela acredita que é o da sua igreja. Eu não posso nem sequer tolerar o gosto musical dela, são coisas intragáveis. Logo, se ela fosse outra pessoa qualquer, que não minha irmã, eu manteria distancia dela. Infelizmente a sociedade conveniou-se a não deixar que laços de sangue sejam manchados por tais pensamentos, eu devo amar as pessoas insuficientes pra mim. Bem, eu tenho essa novidade pra vocês, mentes estreitas ligadas a mim por sangue, peguem a minha irmã, a moto dela, a pobre herdeira dela,  (a qual eu não detesto em si, pelo contrario, tenho, dó pelo infortúnio de ser filha de uma pessoa que está fazendo de tudo pra torná-la outro ser medíocre, e espero, que assim como, muitos, ela se salve um dia; crianças são inocentes neste mundo sendo tornadas em lixo pelos pais, o fato de serem barulhentas e chatas é outra coisa) peguem o calendário com uma foto horrenda da criança, enorme, que ela colocou na geladeira, em mais uma demonstração de inobservância do fato de que mora com outra pessoa que tem um gosto totalmente diferente dela, e eu não coloco uma foto minha com uma maquiagem maravilhosa na geladeira, por exemplo; peguem tudo isso, e balancem no colo vocês, por que eu, simplesmente odeio esta pessoa cega que está se trombando aqui com sua própria miséria. A miséria de não enxergar as coisas como elas são; de remoer as coisas, em um bom desejo de vingança e justiça por mãos Superiores sobrenaturais; de se achar sempre no direito de fazer tudo que bem quer e responder com rispidez quando contrariada; de nunca ouvir, por que está sempre gritando (claro que ela não ouve alguém como eu, qualquer outro parente dá um pitaco besta e ela vai atrás, ocorreu um exemplo que vou declinar de narrar, esses dias, e ela se fudeo); de não se responsabilizar, enfim, pelas escolhas que faz, pois elas sempre trazem consequências. Como eu disse, há anos ela escolheu ter duas cachorras, ou há anos ela escolheu correr um risco... e teve uma filha. Bem, eu penso nas coisas antes pra não sofrer as consequências depois, mas as pessoas fazem o contrário. A maior amargura de pensar além das coisas como elas são, é viver perto de alguém que vê apenas o que está na estreiteza da visão comum, por isso, ladies and gentlemen, eu odeio minha irmã, e quem gostar, pega, brinca, leva que é de graça, ao invés de me dizer como eu devo proceder com esse sentimento pouco aceito no quesito familiar.

domingo, 1 de julho de 2012

Lados

Já parou pra pensar no lado que não é o ruim puro, mas o que seria tão além de ruim, seria assustador e desse modo não é pessimista, mas é tão otimista que te faz se sentir confortável nas perspectivas que te acontecem?
Todos os dias tentamos fechar o coração, pra nossa defesa própria, dizemos que ele está congelado, que é de pedra... (coração de pedra não faz sistole, não bombeia... dificil viver assim, ein?) já pensou um dia acordar e realmente descobrir que não tem coração? Você nunca mais iria sentir nada, quereria desesperadamente sentir, nunca poderia mesmo viver, porque não se apaixonaria não só por pessoas, mas por coisas, seus animais não te bastariam, sua carreira não te bastaria, você nem conseguiria achar uma, nunca acharia nada que gostasse! Viver sem um coração, no sentido figurado é tão dificil quanto viver sem ele literalmente, seria viver em sentido vegetativo.
Por outro lado, assustador, amedrontador, e não sei se do mesmo otimismo, me ocorreu que é triste não ter ninguém pra compartilhar sua alegria, seus bons momentos, imagine o quão triste seria não ter pra te ajudar nos péssimos, bem, talvez o otimismo esteja ai, você ainda não teve um mal momento tão ruim que lamentasse por tudo estar sozinho, você nunca morreu na sua vida, pense morrer sem ter ninguém por quem você queria viver, seria uma vida além da sua, eu penso. Eu acabei de pensar que ademais eu não ter ninguém pra compartilhar os bons momentos, poderia estar morrendo sem ninguém pra me dar um último beijo. Pois o meu medo não é da morte, é da vida que a precede! Vai doer estar lá até ela chegar, por que quando ela estiver lá, eu não estarei.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Alma prisão do corpo

Foucault, em uma análise que não tem nada a ver como assunto em que vou utilizá-la, e também não é especificamente do jeito que vou explicar, mas pra meu propósito vai servir, se você quiser filosofar sobre a ineficiencia dos sistema penal comtemporâneo pode ficar lá pelo vigiar e punir, está bem no começo, antes da 50° página, boa sorte. Duplicidade de corpo, ou outro corpo que acaba sendo uma alma. Entenda pelo perfeito exemplo de um rei, ele é um cara com o corpo dele, e o cargo dele, se o corpo dele morrer outro ocupará aquele lugar,a função é sempre a mesma, e ela pesa, pesa como outro corpo, como uma alma que o envolve, ser rei. É um ser com dois corpos, o seu próprio e esse outro que o envolve, essa alma é a prisão de seu corpo. Eu tenho posto muita gente, muito corpo, na alma que desejo. Eu acho a pessoa e pá, ela se encaixa, uma garota gótica, que gótico não ia querer? Ou qualquer outro tipo de pessoa alternativa, um garoto meio que indie, conhecedor de boa música, bons filmes, ter assunto, se identificar com seus gostos, ter coisas em comum que são mera afinidade artistica, coisas assim... tem pessoas que carregam a alma que eu quero. E eu também carrego a que algumas querem, e então não se importam com o corpo verdadeiro, só com esse. Ou com todo o conjunto. Bem, isso acabou de mudar em 50% minha vida, eu sei o último conjunto que realmente amei, depois dela todos os outros tem sido corpos quaisquer em uma alma que chama atenção. De verdade em verdade vos digo, admitam isso pra vocês mesmos e tenho a séria esperança de que 25% dos seus problemas estarão resolvidos, você poderá chegar e se declarar pro corpo que está na alma que você quer, e se ele não te aceitar você pode seguir em frente sem o menor arranhão no ego, pois você pode dizer a ele, ou mais sensatamente apenas a si mesmo, enquanto se declara: "estou apaixonado pela alma que te circunda, pelo que você representa pra mim, se me quiser de algum jeito também ótimo, senão, fale logo que vou seguir aqui com meus devaneios". Esse é o mais perto que cheguei de uma tese comportamental sobre paixão, que pode ser o que mais perto cheguei de pensar em resolução sobre amor, quando você gostar de verdade do corpo que está dentro daquela alma será amor, daí... sinceramente, você está fudido, não posso te ajudar com isso ainda, mas antes disso, fica aqui esse alerta, verifique esse deslumbramento ai, pode ser só admiração por uma alma envolvedora, daí o resto, parece frio, né? Mas eu chamo honestidade e eficiencia. Se você for honesto com você te poupará muitas decepções, e portanto, é eficiente, não? Deixe pra ser "quente", deixe pra ser bobo, quando estiver amando realmente ;)
PARE DE ENGANAR A SI MESMO, qualquer dia seu cérebro vai mandar um grilo ou coisa assim pular no seu ombro pra dizer que você não o engana mais.

domingo, 25 de março de 2012

A psicologia do atrofiado

Atrofiado de sentimentos eu chamo aquele que por ter ficado muito tempo sozinho, que tenha sido furtado de ter alguém pra compartilhar seus sentimentos mais íntimos, se esquece de certa forma como é ter companhia amorosa, ou como tratá-la, ou como conquistá-la, e por fim atalha ao fim de qualquer sentimentalismo confessando a si mesmo que se não pode ter o que quer, e se o que quer é isso, então não precisa querer o que tem. Se desvinculando do sentimento piegas que se expressa por ai tão bem na boca do povo na citação Shakespeariana “Só porque alguém não te ama como você quer, não quer dizer que não te ama com tudo que tem”. O atrofiado diz que essa pessoa pode pegar o seu amor e... bem, fazer o que quiser dele, pois se alguém não lhe dá o que você quer, o que lhe obriga a dar de mal grado de volta a ela algo que você também não queria, que é apenas a amizade? Atrofiado é todo aquele que então se reserva de demonstrar sentimento exacerbadamente pra sua própria segurança, num dado momento, e a partir daí acaba se adaptando tanto a seu intento que mais que naturalmente depois não saberá como, depois, em que quantidade, ou quando começar a fazê-lo fluir de novo.

A autopreservação deve superar a ideia de altruísmo imposta pelo senso comum, vivemos em sociedade e devemos nos ater a respeitar, colaborar, conviver pacificamente, etc, mas não simpatizar e amar a todos. Se alguém já sentiu que tem demais de uma coisa e de menos de outra, esse alguém é um atrofiado. Admitir uma convenção ao invés de disfarçar de sentimento não faz mal ninguém também. Perdemos até a noção de coleguismo. Colegas são pessoas que não escolhemos, no trabalho, na escola, em sociedade, nada tem de sentimento nisso. Eu mesmo proponho sempre a mim uma instituição de “em que podemos ser úteis um ao outro” quando começo a conviver com uma pessoa, esse é um pacto que todos deveríamos ter conosco abertamente, em toda relação que iniciamos. Autopreservação é ser sincero consigo mesmo, e assim evitar que o subconsciente se preocupe em nos alertar disso. Eu mesmo não me lembro de nenhum sonho há muito tempo. Meu subconsciente deve se ocupar muito pouco no sentido da vazão dessas coisas. Sendo mais explicito, é admitir pra si as coisas mais horríveis que você mesmo possa pensar, pra que elas fluam por sua mente consciente, ao invés de ficarem te atormentando de um lugar mais obscuro. Admitir que você odeia tal pessoa, por exemplo, vejam que digo admitir e não seduzir-se a ideia de realmente odiá-la, pra mim ódio é tão natural quanto amor, e porque não? Ódio deve vir de forma tão natural quanto qualquer outro sentimento de admiração ou repúdio, ou seja, não querer odiar, querer odiar se existe, é muito superficial.

Admitir que na negativa de amor romântico a amizade é forçosa e indesejável, que não, não é melhor do que nada, e sim nada é que é melhor; ser azedo, mesquinho e orgulhoso nesse sentido, negar esse prêmio de consolação, ajuda a elevar o ego. Se você não tiver ego elevado vai cair em todas as pancadas que te derem. Admitir que fazer mal a alguém te daria muito prazer é mais que humano. Rousseau é um grande utópico sonhando com o homem naturalmente bom. Antigamente o homem não poderia de modo algum guardar ressentimento violento, sendo que acabava sempre dando vazão na caça, ou na guerra, mas hoje toda nossa socialização e civilidade nos tolheram disso. Não podemos fazê-lo, mas porque não podemos sentir?

Admitir seus mais obscuros sentimentos irá te salvar de que eles transbordem depois, e saiam por si só numa missão mais perigosa, que é realizar a vingança que o impotente sempre guarda dentro de si. A vingança do instinto humano vai além de se direcionar pra real vitima, pó se direcionar a si mesmo ou outro alvo inocente. Admitir que você não gosta de um familiar, mesmo de seus pais, de seus irmãos; admitir que você não se importa nenhum pouco com alguém, ou que ainda pior, quando esse alguém sofre, por dentro você sorri; que você, justificadamente não gosta de crianças, elas são inocentes, você também já foi criança, e também será velho, mas e daí? Isso não quer dizer nada, só que você não gosta de algo. Veja que sua raiva já se desreprimiu em 50%, você mantém a paz na sociedade e consigo mesmo, não quer dizer que você sairá matando as pessoas que não gosta. Mas pode se dar ao direito de “não ligar pra elas” livremente. O cristianismo nos impôs essa ideia medíocre de amar a todos, num golpe de imposição da igualdade pra pessoas que não são iguais. Ou seja, uma moral única que não se encaixa a todos os padrões, mas quer se valer como universal. AMAR A TODOS! AMAR O PRÓXIMO! Num raio de quantos metros será que Jesus se referia ao próximo? Não é blasfêmia, nem brincadeira, há quem defenda que Jesus quis apenas dizer com isso amar a comunidade, o próximo mesmo, os que convivem conosco de forma direta e interligada. Quando o homem não é somente amor, é pulsão de vários sentimentos, o cristianismo vem tentar podar os sentimentos que nos fazem vivos, afinal, o que é a vida pra religião monoteísta? A vida está no além, o que é a que vemos? Nada.

Bem, pra onde interessa: Chutar traseiros de gente que coloca frases como aquela nos status. Uma pessoa que adere ao prêmio de consolação ou é porque é um covarde, ou porque quer fazer ela valer, assim se sentindo livre do sentimento de culpa quando imputa sua negação a alguém, ou seja, quer manter uma amizade depois de dar o fora em alguém. Um covarde também. Pois se de um lado houve a força de vontade de aceitar que fora romance, não se queria mais nada naquele terreno, então do outro não se venha fazer sofrer mais ainda a quem derrubou o castelinho de sonhos, com a decepção própria, que garanto, é muito mais branda que a do outro. Lembrando ainda do que eu escrevi em um texto anterior “As pessoas frias não estão aqui pra mostrar sua superioridade. Não estamos aqui pra fazer questão de sermos chamados de metido ou antipaticos, estamos nos protegendo de vocês. Vocês são o real perigo, não nós. Vocês são efusivos, confundem os sentimentos, abusam da bondade, da amizade, dessa percrustração de barreira chamada intimidade. Favores... eu gosto de fazer favores por saber que as pessoas me devem alguma coisa. Vocês já me confundiram o máximo que puderam, me elogiaram e tentaram dissecar meus sentimentos pra não fazer nada com eles. Comprendam que sou mais simples e prático que vocês. Tudo que me move é interesse. A diferença é que eu admito.” As pessoas que dão o fora ainda se vêem, vez por outra, no direito de reclamar, além de imputar a frase do Shakespeare, não contentes em pacificamente oferecer sua amizade, elas tentam impor por chantagem emocional, revertendo a situação a seu favor. “Não sabia que era só isso que eu representava pra você, eu só sirvo pra isso, como amigo não?”. Tome o controle do seu mundo perante suas mãos e responda um sonífero: “É!”, porque, poxa, SÓ pra isso, tem coisa mais forte que o amor nesse sentido? A pessoa além de estar tentando reverter a situação pra si, acabou de renegar séculos de discussão sobre a dedicação de quem ama. Não se deixe ser logrado de sua magoa! REAJA! Você já foi logrado da possibilidade de um romance. Se não há realmente carência do sentimento de amizade, então pra que mantê-lo? Apenas por política de boa vizinhança, só se for. Mas de si mesmo você não precisa esconder.

Ainda mais longe, tem gente que admite que já tem demais, amigos suficientes. E já que as pessoas não te dão o que você procura, então nada mais há do que procurar nelas. E se isola, por que há um amontoado de tanto faz andando lá fora. Atrofiado é aquele que não percebe mais a necessidade das convenções sociais em um “oi” ou “bom dia”, ele caba sendo tão cristão por fim, por que todos pra ele se tornam iguais mesmo, qual a necessidade de um tratamento que não a indiferença pra pessoas iguais? Você falou com uma falou com todas, não?

E por fim: não que outras pessoas, amigos realmente, sejam culpadas pelo que acontece nessa linha tão instável da vida, o romance, mas se você não tem o que quer, é continuar dando o que você não quer ou não tem mais apenas por uma aparente obrigação. Se desvencilhar da imposição de beijar, se importar, e dar abraços faz bem de vez em quando. Oi, como vai tudo bem é um tapa na cara de um ser humano. Claro que não está tudo bem, quer ouvir minhas reclamações? Não quer, realmente não, né? Então ta, sai fora. E tipo, o carinho vem de dentro; gatos! Gatos tem uma personalidade exemplar, você pode tê-los criado a pão de ló, e eles são ariscos aos seus carinhos quando adultos, eles são mansos, não arranham, só se muitos irritados, porque não foram mal tratados na rua mas criados dentro de um lar tranqüilo, mas nem por isso são obrigatoriamente mimosos. E às vezes são. Às vezes dois gatos criados do mesmo modo são totalmente diferentes, como dois irmãos seres humanos o são, portanto, tomemos leigamente que isso vem de dentro não de fora. Aceitem seus amigos com atrofia de sentimentos, ariscos a carinho e que não conseguem pronunciar eu te amo. Vocês nunca conseguirão encontrar mais sinceridade que isso, o fato é que não gostamos de sinceridade, por isso não nos agradam esses estranhos seres que se esquivam de contato físico e emocional, se eles pudessem seriam tão sinceros com vocês que doeria nos nervos.

Então, nos atemos a ser sinceros com nós mesmo.

Eu sou Gustáve Caligari: eu não consigo mais dizer eu te amo, eu não gosto de bom dia de pessoas estranhas, nem abraço, nem beijo, nem nenhuma intimidade forçada. Das pessoas conhecidas, algumas são delicadas e outras não, alguns toques invadem e outros confortam, alguns pesam. Porém ainda acho que olhar nos olhos é necessário, aliás, atalha muitas coisas, às vezes eles não me chamam atenção então não sinto necessidade de olhar nunca mais, nem de mostrar os meus. E acho que para o infortúnio da pessoa, isso se resume ao fato de que ela é desinteressante pra mim. Eu detesto pieguice, não acho que alguém possa ou deva ser tão fraco que realmente devamos nos importar com o que dizer a ela, apenas devemos evitar, porque nossa opinião não é dogma. Desacredito no resultado da demonstração de carência; esqueci como é ser sentimental, às vezes esqueço que as pessoas a minha volta são, quando eu tornei tudo mais racional, mas não desacredito que eu mesmo possa a voltar a ter sentimentos fortes um dia. Mas não acho que isso virá de mim, assim como essa situação atual não foi uma escolha também, foi uma conseqüência. Eu sou como um teórico do amor, houve épocas em que eu nem suportava a menção disso ou sexo. Hoje eu vivo como um estudioso de religião, para o qual é uma prática sem fé alguma, apenas teoria. Eu perdi a paixão, não venha me cobrar o que eu não tenho, C'est La Vie.


Finais são bençãos ambivalentes.